22ª edição do Grito dos Excluídos: Em Petrópolis CDDH participou da marcha contra o sistema opressor e injusto

Por Juliana Oliveira em 12.09.2016

Na última quarta-feira, dia 7 de setembro, às 10h o Grito dos Excluídos mobilizou integrantes de diversos grupos e instituições em Petrópolis. O movimento percorreu as ruas do centro histórico de Petrópolis, entoando palavras de ordem contra o sistema atual. O protesto durou três horas e reuniu aproximadamente 400 pessoas.

 Foto: Divulgação Grito dos Excluídos-Petrópolis

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

       

Após a concentração inicial que aconteceu às 10h, na Igreja do Rosário, o grupo caminhou em protesto até a segunda parada, próximo ao Bosque do Imperador. De lá o Grito seguiu para a Praça D. Pedro, onde foi realizada uma mística com os direitos contidos na Constituição Brasileira de 1988 e uma atividade de jogral.

Estiveram presentes representantes de sindicatos, movimentos  jovens, religiosos, estudantis e culturais, além de famílias de diversas localidades que lutam pela garantia do direito à moradia, que em Petrópolis é constantemente ameaçado. Entre elas as Comunidades do Borges, Bambuzal, Arranha-Céu, Vila das Sete Casas, Agnela e Contorno. 

Desde o início de maio deste ano representantes do Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis (CDDH) participam das reuniões de elaboração da atividade no município, que  tiveram como base o tema nacional deste ano: “Esse sistema é insuportável: exclui, degrada e mata”. De acordo com Vitor Sales, integrante do CDDH Petrópolis, é necessário combater toda essa forma de produção que exclui, degrada o meio ambiente e mata o jovem negro morador de periferia e é isso o que reflete a temática deste ano.

Segundo o Relatório Final da CPI do Senado elaborado pelo senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e divulgado em junho deste ano a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no país. Ainda conforme o documento 23.100 jovens (de 15 a 24 anos) negros morrem por ano no Brasil. Mas esta é apenas uma das faces de uma prática higienista que, como afirmou o ex-comandante do Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Ibis Pereira, em evento realizado este ano no CDDH, condena ao mesmo fim também os policiais, já que a maioria possui o mesmo perfil. “É preto pobre matando preto pobre”, contou.

A rua é e sempre será o local de encontro do povo e da luta, por isso a participação no Grito alimenta o trabalho realizado pelos integrantes do CDDH.  Assim como a organização de Direitos Humanos, o Grito reúne pessoas que buscam combater as desigualdades sociais, muitas delas específicas do sistema capitalista. Sob a ótica da vida como bem maior ambos lutam pela garantia de direitos básicos, a preservação da natureza e dignidade da pessoa humana.

O Grito dos Excluídos é um movimento popular nacional, idealizado por religiosos franciscanos em 1994 com o objetivo inicial de aprofundar a Campanha da Fraternidade. Atualmente o movimento reúne integrantes de diversas entidades e denominações religiosas, das mais variadas frentes de atuação e participação popular. Realizado há 22 anos sempre no dia 7 de setembro, data em que ocorreu o Grito do Ipiranga, o movimento é uma forma de manifestação contrária das mais diversas minorias às formas de opressão do Estado. Em 2016 o Grito coincidiu com a intensificação do movimento de luta pela democracia, motivado pelo Golpe de Estado, que resultou no Impeachment da presidenta eleita, Dilma Roussef (PT) e na posse do interino, Michel Temer (PMDB).