ArticulAção realiza evento sobre Juventude Mobilizada e Educação Popular, mas debate vai além da pauta

Por Juliana Oliveira em 25.06.2016

Ocupações escolares, greve dos professores, protagonismo da mulher e a proibição de alunos organizados nas ocupações escolares foram algumas das questões levantadas pelo público no VI Fórum promovido pelo projeto ArticulAção, que aconteceu no último dia 23/06 no Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis.

Durante o momento de falas tanto público como palestrantes abordaram cenários que atravessam a temática central do debate. Foi o caso da recente proibição de alunos filiados a partidos ou pertencentes a organizações estudantis de participarem de ocupações no Rio de Janeiro.

Indagados pelo público os palestrantes presentes expuseram as opiniões e relataram sobre o processo de organização da juventude e relataram ainda, que em uma ocupação escolar na periferia do Rio de Janeiro, embora sejam as integrantes mais atuantes, as meninas não passam a noite no local, isto sob a justificativa de que é mais difícil garantir a segurança de mulheres menores de idade. Diante do desconforto apresentado por muitos presentes, o educador Marcelo Rocha, ficou de encaminhar as sugestões do público para a equipe responsável pela ocupação.

Mulher e professora de psicologia da Escola Técnica Juscelino Kubitschek (ETEJK) que faz parte da Fundação de Apoio à Escola Técnica- FAETEC, Maria Clara Fernandes, contou na ocasião, sobre a parceria entre professores e alunos que se revela no movimento de ocupações de escolas "Vejo a minha esperança brotada neles. “Eu me sinto como se também estivesse ocupando a escola, embora eu esteja em um lugar diferente".

Há mais de 100 dias em greve, a FAETEC, vive o mais longo período de recesso, assim como várias outras instituições de ensino público do Estado. Uma realidade que compõe um caleidoscópio de negligências e injustiças que vitimam estudantes e profissionais da educação em todo o país. Ao citar a atual situação dos servidores do estado no Rio de Janeiro a professora é enfática: “Não dá para naturalizar o descaso... E o conhecimento político que eles estão tendo neste processo é incrível. Em geral, quando se trata de política, é sempre algo atrelado a questões partidárias ou até mesmo à corrupção... Assim eles estão próximos de outra dimensão de política, que é uma forma de estruturar a vida”, comentou.

“Quando isso acabar nós nunca mais seremos os mesmos” : esta é a visão do estudante de turismo da Escola Técnica Juscelino Kubitschek (ETEJK) da FAETEC, Malcom Ozório, que também compôs a roda de conversa e iniciou a fala lembrando a #foratemer. Malcom colocou em pauta a  importância de se resignificar o sentido  de escola e de se inibir qualquer monopolização de movimentos partidários e, inclusive estudantis, nas mobilizações.  “A escola não é um ambiente só de estudo simplesmente. É um ambiente multidisciplinar”, ressaltou.

O culinarista Marcelo Rocha, cujo filho é um estudante que vive há quase três meses em uma ocupação no Rio de Janeiro, falou durante o evento,  sobre  a experiência de participar, como pai, desse processo de mobilização da juventude. Com o objetivo de desmistificar a imagem do público presente sobre o que acontece em uma ocupação, Marcelo provocou: “Vocês sabem o que move uma ocupação? - A vontade de aprender!”. 

De acordo com ele 60% da FAETEC foi ocupada, já que de 20 escolas 11 foram ocupadas, mas, em números, o resultado mais significativo relaciona-se às demandas: isto porque, ainda segundo o educador, de uma pauta com 13 itens, 10 já estão sendo atendidos e os três pendentes relacionam-se a questões de verba.

Na certeza de que, se houvesse um maior movimento dos responsáveis, as conquistas seriam ainda maiores, Marcelo afirma que o papel dos pais nas ocupações é apoiar os filhos e que o dos filhos é de serem amigos dos pais. “Pai e mãe não são inimigos. Professor não é inimigo... Hoje eu tenho mais de 12 mil filhos. É emocionante!”, revelou.

Estudante secundarista e militante do Coletivo RUA- Juventude anticapitalista, Pedro Vitor Negromonte, lembrou as manifestações juvenis ocorridas em junho de 2013, como um marco nas diversas mobilizações estudantis que acontecem hoje no país. Para ele naquele momento não só avançava o conservadorismo, como a esquerda “...e aí a juventude passa a ser disputada tanto pela esquerda quanto pela direita”.

Sobre o aprendizado decorrente da vivência em uma ocupação Pedro relatou o fato de muitos alunos passarem a conhecer o próprio ambiente escolar (salas de aula inutilizadas, equipamentos não entregues) somente a partir deste processo.“...Eu aprendi muito mais na ocupação e uma das coisas foi que, se você está lutando contra o sistema imposto, o Estado nunca vai responder de forma tranquila”, finalizou.