CDDH e CRP elaboram rede de cuidados para usuários de drogas

Por Juliana Oliveira

Inspirados no dia 18 de maio, data em que é celebrada a luta antimanicomial, membros do Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis e do Conselho Regional de Psicologia realizaram hoje (19/05), a primeira reunião da Rede Sobre Políticas e Práticas de Cuidado aos Usuários de Drogas.

O objetivo é incentivar uma prática de atuação menos segregadora. De acordo com Rafael Coelho Rodrigues, membro da Coordenação Executiva do CDDH, as políticas públicas precisam trabalhar visando a inclusão. "A lógica antimanicomial está sendo mantida na sociedade a partir da internação de usuários de drogas e nós defendemos a efetiva implantação da Lei 10.216, que prevê o respeito à dignidade humana das pessoas com transtornos mentais", afirma.

O encontro aconteceu na sede do CDDH e contou com a participação de representantes do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPSAD), do Conselho Regional de Serviço Social (CRESS), do Conselho Tutelar, da Comissão Municipal de Álcool e Drogas, da Comissão de Saúde, da Câmara Municipal de Petrópolis e da Faculdade Arthur Sá Earp Neto  (FASE/FMP). Foram convidados ainda, membros do Programa Saúde do Adolescente, da Secretaria de Segurança, da  Vara da Infância e Juventudedo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), mas não compareceram.

Recentemente foram inaugurados, no município, seis leitos para atendimento específico de saúde mental no Hospital Clínico de Corrêas e, segundo Cláudia Jesus, Coordenadora do CAPSAD de Petrópolis, hoje quatro destes já estão ocupados, mas ainda são muitas as carências no sistema. Entre os problemas apontados como vetores do insucesso do serviço, no que diz respeito às demandas do usuário, estão a falta de especialização dos profissionais inseridos neste nicho e  de comunicação entre os setores que prestam atendimento a essa população.

Além disto foram colocadas em pauta a eficácia da política de diminuição de danos e de abstinência e o conceito de cuidado que, tanto no viés público como no privado representam a lógica da tutela, característica de uma sociedade de controle.

Tendo a carência de integração como um dos principais entraves do trabalho, os participantes pretendem incidir na articulação dos conselhos municipais já existentes."Este é um ano de conferências e a provocação para que os conselhos trabalhem em rede é uma solução, já que provocar a comunicação entre as secretarias é mais difícil", propôs Ricardo Tammela (FMP/FASE).