CDDH promove III Encontro de Coros pelos Direitos Humanos

Por Juliana Oliveira em 28.10.2015

Nos próximos dias 6 e 7/11 o Palácio de Cristal e a Igreja Luterana de Petrópolis, respectivamente, serão palcos de um evento que reunirá diversos coros com um objetivo em comum: cantar a história e a luta pelos direitos humanos. Esta já é a terceira edição do Encontro, idealizado  pelo Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH), organização que atua no município há mais de 30 anos.

A equipe anfitriã, Coro Nheengarecoporanga (CDDH), receberá em Petrópolis, os integrantes do Madrigal Contemporâneo- RJ, do Coral Vozes Nucleares (Eletronuclear), do Coral Instituto Cervantes, do Coro Cant' Vox, do Coral Todo Tom (Mariana - MG)  e do Coral Roda Viva (Conselheiro Lafaiete - MG), todos empenhados em dar voz à garantia dos mais diversos direitos do ser humano.

Diante das transformações políticas, naturais e sociais, vividas hoje por sociedades no mundo inteiro, falar sobre os direitos humanos é uma necessidade que se mantém em pauta de urgência e esta é uma das metas do trabalho desenvolvido pelo Nheengarecoporanga. O Coro  foi criado em  2009 e hoje se transformou em um dos núcleos do Projeto ArticulAção, que integra o Programa Arte- Educação e Direitos Humanos, do CDDH.  De acordo com Carlos Eduardo Völker Fecher, maestro regente do Coro, as pessoas precisam, cada vez mais, se sensibilizar com a temática dos Direitos Humanos e a música  pode ser um caminho para  que isto aconteça.

O site do CDDH-Petrópolis aproveita a ocasião do III Encontro de Coros pelos Direitos Humanos e  entrevista o maestro. Confira:

Site do CDDH: Qual é objetivo principal do III Encontro de Coros pelos Direitos Humanos? 

Carlos Fecher: Traçar um paralelo entre a arte da música com a múltipla expressão humana, no sentido de discutir direitos humanos não só pela sua violação, mas pela sua potência.

 

SC:O que os Petropolitanos poderão esperar do evento?

CF: Podem esperar uma variedade de coros com um repertório também variado e uma boa oportunidade de criar afinidade e laços com a ideia de direitos humanos. De ver como ela se relaciona tão bem com esta arte tão bem cultivada em nossa cidade, que é o canto coral. As apresentações serão gratuitas. Por se falar em Direitos Humanos, é bom que se frise que não se paga para entrar e nem para sair, caso contrário seria cárcere privado. E isso não fica bem, né?... Parafraseando certas divulgações culturais em Petrópolis, "Vale a pena conferir!" É para ver se não estou mentindo...

SC: Você é um maestro renomado na cidade e trabalha há muitos anos no CDDH. Ao todo são quantos anos de profissão?

CF: Não sou renomado. O que tenho são anos de história como qualquer um que não abandona suas bases. Tenho 28 anos de trabalho, dos quais muitos foram passados em companhia de jovens. Vixe! Tá parecendo papo de velho...

SC: Na sua opinião, qual é a importância do Encontro e da Defesa pelos Direitos Humanos, diante do contexto-político social vivido pelos brasileiros?

CF: Creio que seja exatamente criar um vínculo afetivo com esta área. Sempre odiamos os direitos humanos porque eles defendem quem odiamos. Está na hora (sempre esteve na hora) de dizer um basta a este tipo de barbaridade. E nós pretendemos mostrar que continuamos firmes, fazendo a defesa e propondo a potência do pensamento e da expressão humana, para que nossa relação seja menos feia e que, através da arte, busquemos a beleza de uma vida bem diferente da que vivemos nos dias de hoje. 

SC:O repertório do evento foi definido por você? Já pode adiantar quais serão as obras que serão executadas?

CF: Cada coro trará seu repertório. De nossa parte, cantaremos obras dos mais variados períodos, com direito a uma estréia brasileira e uma estréia mundial de uma versão coral. Lógicamente apresentaremos obras que reflitam a temática dos direitos humanos. Dentre elas "Diário da Jovem Morta", que é uma impressão sobre o diário de Anne Frank. Esta obra pode se muito bem contextualizada com o momento atual, em que nossos jovens têm seus sonhos interrompidos por falta de política que priorize a sua capacidade criadora e que, em última consequência, o conduz ao massacre realizado pela Polícia Militar. Isso tudo, com 'nosso' consentimento e apelo para que eles sejam mortos. O sonho de Anne Frank, que não aconteceu, continua não acontecendo. Por quê?

SC: Para este evento, os coros realizaram ensaios em conjunto ou as peças serão executadas separadamente?

CF: Cada coro fará sua apresentação. Isso é importante para que todos tenham sua participação livre e façam, também com liberdade, suas associações de ideias.

SC: As outras edições do evento também aconteceram aqui em Petrópolis? Quando?

CF: As duas versões anteriores aconteceram no ano de 2009 e 2010. Todas foram promovidas pelo CDDH, mas seria muito interessante que este encontro fizesse parte do calendário cultural da cidade, que tem uma marca forte na história dos direitos humanos no Brasil, tanto positiva quanto negativa.

SC:Fale um pouco sobre a criação e o trabalho do Coro Nheengarecoporanga.

CF: Este coro foi criado em 2009, como parte de um trabalho junto aos jovens do projeto Florescer, do Programa Arte-Educação, do CDDH. Contudo, o trabalho cresceu e o coro foi tomando corpo. Desde então o começou a frequentar espaços importantíssimos, tanto no sentido artístico quanto político. Muitas relações foram estabelecidas com instituições e pessoas que tiveram contato com nosso trabalho. Porém muitos foram os inimigos também. Sabe como é, né? Ter um posicionamento mexe com as pessoas e as instituições. Não podemos negligenciar e nem ser hipócritas com o que pensamos. E, no caso, termos um coro de uma instituição de defesa dos direitos humanos, tudo o que fazemos aparece com muita força, pois se torna público imediatamente. Com esta dinâmica de trabalho e com o nível técnico que é exigido de nossos jovens o coro tem se consolidado diariamente no cenário musical e também político no Brasil.

 

 

Serviço: - EVENTO GRATUITO-

 III Encontro de Coros pelos Direitos Humanos

Datas, Locais e horários:

06/11  às 19 horas no Palácio de Cristal

            Endereço:  Av. Piabanha, 109 - Centro, Petrópolis - RJ, 25680-030

07/11 às 19 horas  na Igreja Luterana de Petrópolis

               Endereço: Av. Ipiranga, 346 - Centro, Petrópolis - RJ, 25685-250

Contato: Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis- CDDH

                 Tel: (24) 22422462

                  E-mail:  divulgação@cddh.org.br / cddh@cddh.org.br