Democracia: do debate às urnas

Poucos dias antes das eleições municipais em Petrópolis membros do CDDH participaram de um debate sobre Democracia na cidade.

Idealizado pelos estudantes de história do Diretório Acadêmico Leonardo Candú, da Universidade Católica de Petrópolis (UCP) o Café Filosófico intitulado -Democracia: Expressões Contradições e Perspectivas- aconteceu no último dia 29/9 no salão nobre da universidade e ampliou as reflexões sobre o tema, que tende a ser relacionado a discussões político-partidárias.

 Na ocasião o presidente do diretório, Gabriel Justen, que também é educador popular do CDDH, deixou claro: “O diretório Leonardo Candú tem um lado e é o lado dos estudantes, o lado da democracia”.  O professor Bruno Tamancoldi, coordenador do curso de história da UCP, agradeceu aos integrantes do diretório e elogiou a realização do evento “...Quando os alunos se juntam tudo muda”.

       

De acordo com os organizadores aproximadamente 300 pessoas estiveram presentes, o que garantiu salão praticamente cheio. Na mesa, Carla de Carvalho, pedagoga e membro da Coordenação Executiva do CDDH-Petrópolis, Guilherme Galvão, pesquisador pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Eduardo Stotz, Presidente da Comissão Municipal da Verdade (CMV), Paulo Henrique Rodrigues, Professor e Doutor pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), e o historiador, Doutor e Professor da UCP, Leandro Ricon, que mediou o debate e iniciou as falas, citando diversos autores de referência sobre a temática. Conforme a fala de alguns destes pensadores não é possível ter certeza de que um dia será possível esgotar as reflexões sobre tema.

O pesquisador Guilherme Galvão falou, entre outras questões, sobre a ausência de mulheres nos 35 partidos que existem hoje no país e citou como falha da esquerda as coligações feitas em nome da governabilidade. “O governo progressista que esteve no poder achou que esse sistema, corrupto em sua essência, corroído em sua base, pudesse servir para que seguisse com a sua linha programática”

Especificamente sobre a temática do debate o pesquisador problematizou: “A democracia tem falhado na radicalização. Parece uma coisa muito boba... Como é que eu vou democratizar a democracia?”

 

Expressões

Com o objetivo e contextualizar historicamente o termo, o Professor e Doutor Paulo Henrique Rodrigues falou sobre como o surgimento da própria democracia é permeado por injustiças e clandestinidade e que, cuja ascensão, de acordo com muitos movimentos sociais, ainda hoje assusta as elites. “A partir do momento que alguém quer tirar a sua voz, aquela pessoa quer destruir uma das ferramentas mais importantes que o ser humano pode ter... Há um clima de pessimismo. Mas veja isso aqui: é um movimento de resistência. Eles não ganharam. Ganharam o poder, porque já estavam lá, mas nós ganhamos as ruas. O Brasil é um exemplo de luta. Não acabou”, pontuou.

 

“Na verdade não dá para se pensar uma coisa sem a outra: direitos humanos sem democracia ou democracia sem direitos humanos... Desde a época da ditadura os direitos humanos eram criticados porque defendiam os chamados subversivos. Hoje não se usa mais esse termo, mas usamos tantos outros que estigmatizam e discriminam”.  Foi assim que Carla de Carvalho, do CDDH, abordou a temática central do debate. A pedagoga, única representante feminina na mesa, aproveitou o momento para diferenciar os termos Direitos Civis, aqueles direitos do cidadão, tais como casar e votar (que não consideram as crianças) e Direitos Humanos, que são universais, consideram o humano como indivisível. “Algumas pessoas começam a justificar atrocidades contra os direitos humanos, por conta de uma reclusão”.

Carla fala sobre os estigmas, as ignorâncias e a luta de classes que geram a violência. Ainda  enfatizando o ódio de classes que se agiganta nas ruas e redes sociais dia a dia, ela alerta: “É um absurdo o que se fala da esquerda em virtude da ascensão ao poder”.

 

Contradições e Perspectivas

Aplaudido pelo público por iniciar a fala com o já contemporâneo ‘ForaTemer’, o Presidente da CMV Eduardo Stotz  fez um resgate histórico sobre a ditadura civil-militar no Brasil e a relação com a cidade de Petrópolis. Com o intuito de desmistificar o senso comum Stotz afirma: “A ditadura acabou. Ela não foi derrubada. Foi feito um pacto político. O regime militar acabou também, legando a anistia recíproca... Vejam que coisa: a anistia ampla e irrestrita beneficiou os próprios militares e foi incorporada na própria constituição de 1968”.

Em paralelo com o cenário sociopolítico atual, ele finalizou: “Vem aí uma nova ofensiva contra a classe trabalhadora. Mas agora não é necessário uma intervenção militar, porque os trabalhadores se desorganizaram... Então, mais uma vez, a democracia é moeda de troca”, afirmou Stotz.

Ao término do evento, parte do público, embalada pelo ‘Fora Temer’ que também encerrou a fala de Stotz, entoou palavras de ordem pela democracia, o que iniciou o momento de diálogo proposto pelo evento.

Enquanto isso, os petropolitanos aguardam a votação do segundo turno, que será decidida entre os candidatos do PMDB, Bernardo Rossi e o atual prefeito, Rubens Bomtempo, do PSB.

Leia mais em: Boletim do CDDH- Ed 01