'EM PETRÓPOLIS - Cinco mulheres são vítimas de estupro mensalmente'

Veículo: Jornal Diário de Petrópolis

Data: 29.05.2016

Editoria: Cidade

Fonte: http://diariodepetropolis.com.br/integra/em-petropolis-cinco-mulheres-sao-vitimas-de-estupro-mensalmente-91322

EM PETRÓPOLIS -

 

Cinco mulheres são vítimas de estupro mensalmente

Dados do Instituto de Segurança Pública do estado atestam os dados assustadores.

Bernardo Rocha

 

Pelo menos cinco mulheres foram vítimas de estupro em cada mês, até abril deste ano em Petrópolis. Os dados são do Instituto de Segurança Pública (ISP) do estado. O caso da jovem que foi abusada por 30 homens na última semana, foi o gancho para o Diário tratar novamente esta conduta delituosa, que cada vez mais deixam assustadas as mulheres de todo o país.


Pelo menos até dezembro de 2015, o Dossiê da Mulher, divulgado pelo Observatório Judicial da Violência contra a Mulher, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), registrou que além dos estupros, pelo menos 2.484 mulheres foram vítimas de crimes.


No ano passado, foram 900 lesões corporais e 60 estupros. Segundo o coordenador do projeto Articulação, Jean Costa, do Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH), casos como o da jovem apenas tiram o foco do que de fato corre corriqueiramente em nossa sociedade.


- O crime de estupro é um fenômeno do Século. Todos os anos os números se repetem. O caso desta jovem foi importante, mas tira o foco do que acontecem todos os dias em nossas casas e na nossa comunidade – disse.
No quantitativo do ano, pelo menos 21 mulheres foram vítimas de crime sexual. Atualmente na cidade, vivem 156 mil mulheres. Mais de um terço do ano passado.


- Prestamos atendimento a várias comunidades e sempre nos deparamos com situações de estupro em nosso cotidiano – disse.


Para se ter ideia como a conduta da mulher é julgada pela sociedade, em Petrópolis, 73,6% dos registros de calúnia, difamação e injúria em 2014 foram feitos por vítimas mulheres. Os registros de estupro naquele ano tiveram 83,2% de vítimas mulheres e as tentativas de estupro chegaram a 91,3% de predominância de mulheres entre as vítimas.


- O fato mais triste é que os moldes em que a mulher é criada, já impõem valores machistas. O conservadorismo da sociedade em relação ao julgamento e conduta da mulher em meio à sociedade delega até mesmo como ela será tratada – afirmou Jean.
Criticas á políticas públicas


Medo e dependência financeira são dois fatores que levam muitas mulheres à serem altamente vulnerais a denunciar crimes de violência. De acordo com o representante do CDDH, as políticas publicas retrocederam e fazem com que cada vez mais mulheres sejam vítimas caladas do meio social.


- O processo de atendimento à mulher retrocedeu. Antes o acompanhamento psicológico era feito do momento em que vítima procurava ajuda. Durante isso, era consultado se existia o interesse de se fazer o registro policial. Atualmente, os órgãos que assistem as vítimas, só atendem mediante ao Registro da Ocorrência. Imagina quantas mulheres são violentadas e não tem acompanhamento ou tomam coragem de denunciar? - questinou.

Outros números


Além desses, as mulheres sofrem mais que os homens os crimes de lesão corporal dolosa (64%), violação de domicílio (66,7%), supressão de documento (58%), ameaça (65,5%) e constrangimento ilegal (59%).
No estado do Rio, a Justiça registrou 32.061 crimes de lesão corporal causados por violência doméstica contra a mulher entre janeiro e outubro. Segundo o TJRJ, esse tipo de caso foi o mais comum nos últimos cinco anos. No ano passado, foram 41.966 registros. O crime de meaça também está em segundo lugar no estado, com 28.389. Em 2014, o total de casos foi 31.256.


No entanto, O Rio teve apenas 898 prisões de agressores nesse período, contra 1.106 no ano passado.Segundo o tribunal há atualmente 132.941 processos relacionados à violência contra a mulher tramitando na Justiça fluminense. Foram deferidas 17.739 medidas protetivas de urgência para afastar os agressores das vítimas este ano. Nos últimos cinco anos, 2014 foi o que concentrou o maior número de medidas cautelares concedidas (21.533). Em contrapartida, foram proferidas 5.571 sentenças em 14.932 audiências. Há cinco anos, eram 617 sentenças.

Disque 180

O Ligue 180 foi criado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), em 2005, para servir de canal direto de orientação sobre direitos e serviços públicos para a população feminina em todo o país (a ligação é gratuita).


Ele é a porta principal de acesso aos serviços que integram a rede nacional de enfrentamento à violência contra a mulher, sob amparo da Lei Maria da Penha, e base de dados privilegiada para a formulação das políticas do governo federal nessa área.


O Ligue 180 desempenha papel central, ao lado do programa ‘Mulher, Viver sem Violência’, lançado em março de 2013, com o objetivo de cobrir o país com serviços públicos integrados, inclusive nas áreas rurais latu sensu, mediante a utilização de unidades móveis para o campo, a floresta e as águas.


Em março de 2014, o Ligue 180 transformou-se em disque-denúncia, com capacidade de envio de denúncias para a Segurança Pública com cópia para o Ministério Público de cada estado. Para isso, conta com apoio financeiro do programa ‘Mulher, Viver sem Violência’, propiciando-lhe agilidade no atendimento, inovações tecnológicas, sistematização de dados e divulgação.