Equipe do CDDH apoia marcha anti-fascista e repudia ação da Polícia Militar

Membros do Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis (CDDH) acompanham a manifestação contra o fascismo e repudiam a atuação violenta e desnecessária de agentes da Polícia Militar.

Integrada por diversos movimentos sociais e militantes da UJC- União da Juventude Comunista, UJS- União da Juventude Socialista, do PSOL- Partido Socialismo e Liberdade e de diversos Coletivos,  a manifestação em repúdio à visita do deputado Jair Bolsonaro (PSC- Partido Social Cristão) à Petrópolis aconteceu no último dia 06/06 e percorreu algumas ruas do centro histórico até a porta do Petropolitano Futebol Clube, onde aconteceu um evento promovido pelo partido.

Recebidos pela Polícia Militar logo na esquina da Rua Roberto Silveira, os manifestantes se mantiveram gritando palavras de ordem e, do portão do clube, alguns jovens vestidos com camisas que traziam a imagem do deputado, colocaram o contraponto em evidência ao gritarem: "O Ustra vai te pegar" (em referência à homenagem feita por Jair Bolsonaro, ao torturador da Ditadura civil-militar no Brasil, Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, durante a votação de Impeachtment na Câmara).

Quatro viaturas continham a manifestação que contou com, segundo os organizadores, 150 pessoas, e correu pacificamente até a movimentação do grupo para a Praça da Liberdade. De acordo com manifestantes a Polícia Militar fez uso de gás de pimenta enquanto o grupo seguia até o ponto histórico, com o objetivo de liberar o trânsito.

"O CDDH repudia qualquer forma de machismo, racismo e preconceito e por isso estamos aqui hoje, pois acreditamos que Jair Bolsonaro representa um retrocesso na conquista da democracia. Lamentavelmente, consideramos que a ação da PM foi extremamente despreparada e desnecessária", afirmou Carla de Carvalho, membro da Coordenação Executiva do CDDH, presente na manifestação.

NOTA DE REPÚDIO 

A defesa dos direitos humanos é uma bandeira que deve ser estiada sempre. Defendemos que todos humanos tenham condições de desenvolver suas capacidades em prol de uma vida plena, integral, respeitosa e solidária.

A humanidade deve buscar o entendimento mútuo e a cooperação entre as pessoas e os povos. Deve "reconhecer que a paz é a integridade criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com o grande Todo do qual somos parte."

No Brasil estamos vivendo um momento muito particular, pois os conflitos e a falta de tolerância estão na pauta do dia. Nós, do Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis repudiamos veementemente esta prática.

O congresso brasileiro, a partir de meios escusos, está promovendo um golpe parlamentar e jurídico para retirar uma presidenta eleita por 45 milhões de votos. O presidente interino, em 15 dias de governo provisório, está desmontando de maneira inaceitável, todos os direitos conquistados pela classe trabalhadora e por aqueles que sempre estiveram à margem da nossa sociedade.

O Congresso compactua com este processo de intolerância, de preconceito e de absoluto desrespeito à democracia.
Mas existem ainda forças mais obscuras nessa situação. Os setores mais conservadores que estavam escondidos, agora estão se apresentando.

Uma expressão atual desse setor está materializada na figura pública do deputado Jair Bolsonaro. Não precisamos nos alongar exemplificando as manifestações preconceituosas, conservadoras e violentas desse deputado.

Ontem, dia 6 de junho, esse senhor esteve em Petrópolis. Reafirmamos que as ideias reproduzidas por ele atacam diretamente os princípios dos Direitos Humanos universais. Exemplo disso é o fato de Bolsonaro, na votação do impedimento, ter elogiado um torturador. A tortura é um atentado à humanidade. Um torturador deve ser punido pelos seus atos.

A cidade de Petrópolis e o Congresso Brasileiro merecem muito mais que uma figura como Bolsonaro, que tem atitudes francamente fascistas. Precisamos de pessoas que defendam os valores de fraternidade e igualdade lutando contra todo tipo de homofobia, machismo, preconceito racial e religioso.


Nós, do Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis, exigimos uma Petrópolis melhor, que construa o respeito à democracia e que repudie, definitivamente, retrocessos propostos por qualquer tipo de conservadorismo.