Lançamento da Rede de Cuidados para Usuários de Drogas atrai a participação popular

Por Juliana Oliveira

Rede de Cuidados para Usuários de Drogas foi lançada na manhã desta terça-feira (07/07), em um evento que reuniu diversos atores, no debate sobre novas práticas de cuidado voltadas para os usuários de drogas em Petrópolis.

O evento aconteceu no Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis (CDDH), onde durante quase três horas representantes de diversos setores públicos, pesquisadores, membros de instituições de ensino, além de estudantes e profissionais das áreas de direito, saúde, assistência social e educação discutiram sobre a criação desta iniciativa, que visa incentivar a adequação das políticas públicas já existentes e a criação de novas políticas para atender aos usuários e  famílias no município de Petrópolis.

Buscando desmistificar a construção da droga como 'mal' e encarando a dependência como uma consequência de aspectos sociais, profissionais e estudantes buscam agora, incidir nos programas de formação e contribuir com ações que auxiliem o trabalho daqueles que estão à frente dos atendimentos.

Durante o debate foram abordados temas como o preconceito, a falta de comunicação entre os atores envolvidos,  a atuação do judiciário, a internação compulsória  e a desarticulação de todo o sistema.

A rede foi elaborada por integrantes do CDDH e do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro (CRP-RJ) e inicialmente composta  por representantes do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPSAD), do Conselho Regional de Serviço Social (CRESS), do Centro de Integração Empresa- Escola (CIEE), do Conselho Tutelar, da Comissão Municipal de Álcool e Drogas, da Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Petrópolis e da Faculdade Arthur Sá Earp Neto  (FASE/FMP).  Com o lançamento oficial, este núcleo recebe novos braços de contribuição e apoio, conferindo à causa uma proporção ainda maior. Estiveram presentes no lançamento da rede, entre outros, representantes do Núcleo de Integração Social ( NIS) e  do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua- Centro POP do município.

 A droga como estigma

Segundo Rafael Coelho Rodrigues (CDDH-Petrópolis) é preciso encarar a droga de uma forma diferente. “O atual modelo de prevenção e cuidado está sempre muito atrelado ao medo... Acho que a gente tem que fazer um diagnóstico da prevenção. A droga é um sintoma social”, afirmou. Neste sentido Ricardo Tammela (Fmp/Fase) divulgou o interesse da instituição de ensino em participar da rede como, potencial de transformação a partir da formação dos agentes. “Enquanto academia, temos o dever de romper com essa visão hipócrita... De contribuir para esta nova organicidade”, pontuou o Coordenador de Projetos.

Ainda de acordo com Rafael Coelho Rodrigues as políticas públicas precisam trabalhar para promover a inclusão e esta rede poderá estimular uma maior integração entre saúde e assistência. “Trinta anos após a criação da prática de saúde proposta pela Política de Redução de Danos ainda precisamos discutir estas questões na base. Enquanto a gente não conseguir intervir nesse cenário subjetivo da nossa sociedade, não poderemos  lidar com essa situação na prática”, disse. 

Reflexão sobre a lógica das práticas atuais 

Este é apenas o primeiro passo da construção de um trabalho coletivo, que pretende mobilizar os diversos agentes de atendimento a essa população, bem como questionar a própria lógica das práticas atuais. Vislumbrando os futuros debates Simone Garcia da Silva (CRP-RJ) enfatizou durante o evento,  a complexidade das ações deste trabalho  e a necessidade de esclarecer termos e propostas  dentro deste novo núcleo já que, segundo ela, a própria atenção básica deveria ter uma estrutura mínima para depois avançar em rede.

O próximo encontro da rede deverá acontecer no dia 21/07 e entre os encaminhamentos estabelecidos já neste primeiro encontro, estão o fortalecimento dos convites de participação às instituições religiosas, representantes do sistema de segurança pública, do judiciário e da educação, assim como a formação dos integrantes da rede, a partir da compreensão da própria política de saúde e a apresentação do trabalho realizado hoje por cada setor e organização participante.