Nota de pesar pelo falecimento de D. Paulo Evaristo Arns

Morreu hoje (14) pela manhã o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, aos 95 anos de idade. O Arcebispo Emérito da Arquidiocese de São Paulo foi referência para o movimento pela garantia dos direitos humanos no Brasil e no exterior.


Internado desde novembro no Hospital Santa Catarina, em decorrência de uma broncopneumonia, D. Paulo era filho imigrantes alemãs e iniciou os trabalhos como religioso em Petrópolis,como professor te teologia e em especial na pastoral do bairro Itamarati, onde fundou creches e organizou uma ativa pastoral da juventude.


No Brasil destacou-se pela atuação contrária à ditadura civil-militar e à tortura, apoiando figuras como Dom Hélder Câmara e Dom Waldyr Calheiros, pressionados durante o regime ditatorial. Logo ao tomar posse da Diocese de São Paulo em janeiro de 1971, Arns ganhou projeção na  militância, ao denunciar a prisão de dois agentes de pastoral: o padre Giulio Vicini e a assistente social Yara Spadini. 

 

Arns presidiu celebrações históricas na Catedral da Sé, no Centro de São Paulo, em memória de vítimas da Ditadura Militar. Dentre eles, o ato ecumênico em honra do jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 1975 no DOI-CODI/SP- Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna de São Paulo. Sob seu incentivo se fundou em Petrópolis o Centro de Defesa dos Direitos Humanos e o Movimento Nacional dos Direitos Humanos, cuja primeira sede foi nesta cidade.

 

Sua grande obra foi a confecção do livro “Brasil nunca mais” junto com o rabino Rabino Henry Sobel e com o Pastor presbiteriano Jaime Wright  com toda uma equipe de pesquisadores. Foram sistematizadas  informações de mais de 1.000.000 de páginas contidas em 707 processos do Superior Tribunal Militar. O livro publicado pela Editora Vozes “Brasil Nunca Mais” teve papel fundamental na identificação e denúncia dos torturadores do regime militar e acelerou a queda da ditadura.

Formado em Teologia e filosofia D. Paulo também é lembrado pelo apoio ao voto no Movimento ‘Diretas Já. Autor de 49  livros, ele ainda foi responsável pela criação de várias paróquias, centros comunitários, comunidades eclesiais de base (CEBs), além da Pastoral da Infância, criada em 1985 com o apoio da irmã, Zilda Arns.


O comunicado da morte foi feito através de uma nota divulgada pela Arquidiocese e o velório  será na Catedral da Sé, no Centro de São Paulo, com duração prevista de 48 horas. Arns deverá ser sepultado na cripta da catedral na sexta-feira. Ele ficará na memória da história da Igreja e do Brasil por sua luta incessante pelos pobres e pelos direitos humanos bem como pelas denúncias corajosas das violações desses direitos feitas nos porões da ditadura militar.